DISCUTINDO DIREITOS SEXUAIS E DIREITOS REPRODUTIVOS
COM JOVENS MULHERES E HOMENS DO RÁDIO E DA CULTURA HIP HOP

O CEMINA - Comunicação, Educação e Informação em Gênero e a REDEH - Rede de Desenvolvimento Humano, vêm discutindo questões como controle do tabaco, eqüidade e violência de gênero e inclusão digital e social com a cultura Hip Hop do Rio de Janeiro. A proposta pretende aproveitar o potencial mobilizador desta manifestação artística para dar visibilidade ao debate sobre os direitos sexuais e direitos reprodutivos. O projeto objetiva levar informação, educação e conscientizar a(o) jovem para que inicie ou mantenha sua vida sexual de forma saudável e responsável. A iniciativa vai aproveitar a energia desse(a) jovem para que, que esse(a) jovem se torne um(a) jovem político e autônomo.

Estatísticas revelam o aumento do número de gravidezes indesejadas na adolescência além do aumento da incidência do vírus da AIDS entre meninas com menos de 24 anos, indicando a falta de sensibilização para a necessidade de prevenção e para o uso do preservativo.

Estima-se que no Brasil sejam realizados cerca de um milhão de abortos clandestinos por ano - já é a quinta causa de internação hospitalar por mulheres no Sistema Único de Saúde. O aborto corresponde hoje a 9% de mortalidade materna, segundo o Diagnóstico da Campanha por uma Convenção Interamericana de Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos (www.convencion.org.uy).

Os jovens das comunidades com menor poder aquisitivo ou marginalizados, em sua grande maioria afrodescendentes, são os que mais sofrem com as violações de seus direitos.
Para reverter este quadro, estes jovens se organizam e criam alternativas. O Hip Hop, por exemplo, é uma delas. A Cultura Hip Hop se apresenta como espaço de formação profissional, de convivência psicossocial e de organização e atuação político-social da juventude.
Fenômeno cultural, de origem negra/hispânica, surgido nas últimas décadas, e de grande importância social, o Hip Hop ora é classificado como um movimento social, ora como uma cultura de rua. O fato é que tem mobilizado milhares de jovens nas periferias das grandes cidades.
Os elementos que expressam o Hip Hop (RAP, DJ, Break e Grafite) são apenas símbolos, ou seja, aquilo que se torna visível a partir de uma grande discussão que acontece no submundo das periferias, onde vivem os herdeiros e herdeiras das grandes desigualdades sociais brasileiras. Os temas que ganham cores nas paredes, através do grafite, ou a letra contundente dos MC's (Mestre de Cerimônia - o que canta o RAP) são variados: identidade racial e cultural, possibilidade de inserção social, alternativa à marginalização e à violência.

Embora os direitos sexuais e reprodutivos comecem a ser percebidos como uma questão de direitos humanos e afetem todas as camadas sociais, o assunto ainda é muito pouco - ou nada - discutido nesse universo do Hip Hop. Em parte podemos atribuir a uma cultura machista do contexto em que esses(as) jovens são criados(as). Podemos perceber isso nas suas músicas. Mas é fato também a falta de percepção de que este é um problema social, e não pessoal a ser resolvido entre quatro paredes.

As mulheres do Hip Hop, assim como suas mães, irmãs e meninas de outras culturas e outras “tribos”, não conhecem seus direitos e não decidem efetivamente sobre seus próprios corpos, sem se dar conta do quanto esta desinformação é prejudicial a suas vidas.

Considerando os direitos sexuais e reprodutivos como uma questão de Direitos Humanos e de Saúde Pública, os movimentos de mulheres têm trazido cada vez mais a discussão para o espaço público, buscando co-responsabilizar sociedade e Estado no combate a mais essa discriminação de gênero.

Queremos aproveitar o potencial questionador e a capacidade de se indignar desses jovens, para colocar em pauta temas como aborto, sexualidade, concepção e contracepção...

OBJETIVO GERAL
O projeto tem como foco introduzir a perspectiva de gênero, a reflexão e a compreensão dos fatores que levam à violação dos direitos da mulher, sobretudo seus direitos sexuais e direitos reprodutivos, no universo dessas(es) jovens.

META

Provocar reflexões e debates dentro da cultura Hip Hop sobre o conteúdo das letras e grafites, buscando a criação de mensagens que promovam a eqüidade de gênero e o respeito aos direitos das mulheres;

PRODUTO

• O CD será distribuído gratuitamente, para DJ's, integrantes da Rede de Mulheres no Rádio (articulação nacional de mulheres radialistas), para rádios comunitárias, programas voltados para o público jovem, ONG's, Conselhos Municipais e Estaduais e para o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e da Juventude.
· As músicas que compõem o CD, assim como a arte da capa estão disponíveis para download neste site, de forma que você possa montar o seu CD gratuitamente.


SEMINÁRIO HIP HOP MANDANDO FECHADO EM SAÚDE E SEXUALIDADE
EQUIPE

Coordenação: FÁBIO ACM

Consultoria: DÉBORA OLIVEIRA

Produção: MARCIA LEMOS

Capacitadoras: RJB - Rede Jovens Brasil - Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos

ANA PAULA SCIAMMARELLA | ANA ADEVE(RJB) |
DÉBORA OLIVEIRA(RJB) | FERNANDA GRIGOLIN(RJB) | RAQUEL MELO(RJB)

Facilitadoras:

JACIRA MELO(Instituto Patrícia Galvão)| MAGALI PAZELLO(Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro)| MARCOS NASCIMENTO(Promundo) | ROSÂNGELA TALIB(Católicas pelo Direito de Decidir)| SCHUMA SCHUMAHER(Redeh)